Escola de Criatividade, comportamento e adaptação a mudanças

Blog - NEURÔNIOS VIRGENS


A Criatividade da vizinha é sempre melhor que a minha

A coisa mais comum que existe no mundo corporativo é uma empresa solicitar – e às vezes exigir – de seus funcionários, colaboradores e fornecedores, idéias criativas e inovadoras. Mas na hora em que estas lhe são apresentadas, um nariz torcido, uma boca arqueada para baixo e um senho repleto de sulcos invariavelmente são vislumbrados em rostos pasmos e incrédulos. Geralmente acompanhada de um “você está louco?”, a reação é sempre considerar como piada, uma brincadeira de mau gosto ou simplesmente um devaneio insano do propositor.

A pergunta que me faço quando presencio uma dessas cenas é “Será que eles sabem o que é criatividade? E na eventualidade de eles saberem, será que eles têm peito para levar uma idéia verdadeiramente criativa adiante?”. Em geral não. A maioria das pessoas só se sente confiante e confortável com uma idéia quando seu banco de dados mental encontra alguma referência positiva, ou seja, a idéia precisa estar “cadastrada” em sua cabeça para ser reconhecida como “boa”. Mas como uma idéia nova estará cadastrada na cabeça de alguém? Se é nova mesmo, não estará. O que significa que exigirá um novo imput mental. E para a maioria dos mortais este é um sacrifício duro demais para enfrentar. A dor da dúvida, da incerteza, da próxima curva é insuportável.

Mas por que então as pessoas insistem em perseguir a criatividade se elas não são capazes de suportá-la? Porque na maioria das vezes elas sequer sabem que isso acontece. Para elas, estão apenas fazendo um juizo de valor e não incorrendo em um preconceito. Elas acreditam de fato que aquilo não é uma boa idéia. Aí você pergunta para ela o que é uma boa idéia e ela lhe apontará uma imensa lista de idéias conhecidas, consagradas e, principalmente, testadas. E por acaso estas pessoas sabem o que os autores destas idéias vitoriosas tiveram de passar para levá-las adiante? Sabem o sacrifício emocional que tiveram de enfrentar? Sabem o medo que passaram por causa da incerteza e da dúvida inerentes às novidades? Sabem quantas vezes elas erraram até acertarem? Com certeza não. Por isso as empresas continuam obcecadas por criatividade sem sequer saber o que diabos isso significa. Criatividade por definição significa dúvida, significa risco, significa surpresa. Significa que às vezes dá errado mesmo. Mas nem todo mundo tem estômago para enfrentar riscos. Nem todo mundo é Steve Jobs. Mas não se desesperem. Copiar bem copiado também não deixa de ser um grande talento.

Haja sacolinhas

Comenta-se a boca-de-caixa-pequena que essa história de se proibir sacolinhas de plástico em supermercados é mais uma velha conhecida nossa: alguém está levando vantagem. E não é o consumidor. Talvez sejam as tartarugas. Mas muito mais provável é que sejam os empresários. É só fazer as contas: antes as empresas tinham de produzir milhões de sacolinhas sem cobrar por elas, pelo menos diretamente. E antes das de plástico, eram as de papel. Agora se o consumidor não quiser sair da loja como se fosse um malabarista, precisa comprar uma sacola (que também é de plástico). Então por que não voltamos às de papel? Por que os sacos de lixo e todas as embalagens de plástico do mercado continuam sendo permitidas? Por que fora dos supermercados as sacolinhas de plástico continuam valendo? É, a natureza demora milhões de anos para dissolver o plástico e nós não demoramos nada para perdoar uma cara de pau.

Itaú-Unibanco retira portas giratórias de agências

Durante anos esse foi um momento de pânico para mim: ir ao banco onde eu tinha conta. A maldita porta giratória sempre travava comigo. E eu sempre fazia um barraco. O gado atrás de mim, ao invés de me dar apoio, mugia em desaprovação. Cheguei a fazer uma reclamação formal ao banco que me deu aquela resposta padrão: é uma questão de segurança. Quer dizer então que a segurança está acima do respeito? Porque algumas pessoas assaltam bancos todas as outras precisam ser constrangidas? Os bancos não tem condições financeiras e de pessoal para criar um sistema mais adequado? Veja bem, não sou contra o controle de metais, sou contra a porta giratória. Você vai entrando e, de repente, ela trava, ou seja, o banco bate a porta na sua cara. Que bom que o Itaú ouviu minha reclamação. Com 15 anos de atraso, mas tudo bem.

Politicamente correto é o #%&@!

Jás está enchendo o saco essa história de politicamente correto. Até porque na maioria das vezes a pessoa criticada está usando apenas uma figura de linguagem. Pode ser apenas uma metáfora, uma metonímia, uma catacrese e até mesmo uma autonomásia. E o incrível é que a própria expressão em si “políticamente correto” não tem nenhuma lógica. Quem inventou deveria estar brincando. Afinal, todos sabem que se é político, não é correto. Se é correto, não é político. Um autêntico paradoxo, outra figura de linguagem bem conhecida pelos brasileiros. O problema é que agora os políticamente corretos vão pegar no meu pé por falar mal dos políticos, ou seja, vou ser vítima de outra figura de linguagem: a hipérbole. Deus me proteja!

É carnaval!

Semana que vem tem carnaval. Que bom! A partir de quarta-feira, mas só depois do almoço, começa 2012. Aproveito a oportunidade para desejar a você e a sua família os votos de boas festas e um feliz ano novo.

Frase da semana

"Ideias são como tartarugas: das milhares que nascem só muito poucas chegarão à idade adulta."

Ideia Legal

Se preocupar com as questões fundamentais da vida não apenas quando elas estiverem sendo tratadas pela mídia.

Ideia de Jerico

Enxergar as faculdades e universidades como preparatórias para a vida profissional e não como formadoras de cidadãos.

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3 Comentários para “A Criatividade da vizinha é sempre melhor que a minha”

  1. Prezado Sklo, é um prazer fazer parte da lista de distribuição do Neurônios Virgens. É só deixar meu nome permanecer nela, com minha total autorização. Divertidíssimo….

    Um toque… acho que peguei dois errinhos de revisão no post “A Criatividade da vizinha é sempre melhor que a minha”, de 15/02/2012. Espero que não se ofendam, o texto é ótimo!!!

    - brincadeira de mal gosto => brincadeira de mau gosto (mau aqui é adjetivo e não advérbio = gosto ruim…)
    - obsecadas => obcecadas – vem de cego (caecatus, em latim)
    Abs,
    Suzan

    • Obrigado, Suzan, vou corrigir. E pode deixar que eu não me ofendo não. Sou muito preocupado com a norma culta (não muito na verdade), e procuro não cometer muitos erros. Se alguém me avisa, vou lá e arrumo. Falando nisso, Szklo é com z, do polonês “vidro”… rsrsrsrsrsrs abraços

  2. gostei do texto e das correções tambem…

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